segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ricardo Coutinho anuncia construções de 800 quilômetros de asfalto na Paraíba. Igaracy/Aguiar está incluída.

Durante solenidade no Espaço Cultural em João Pessoa, o Governador, Ricardo Coutinho, faz balanço dos 100 dias do seu Governo, e anuncia ações, também construções de 800 quilômetros de asfalto em todo o Estado, que também inclui a Rodovia, Sousa, Lastro, Vieirópolis. Confira:
Caminhos da Paraíba”.
Na primeira etapa, serão construídos 800 quilômetros de estradas, compostos por 30 rodovias, incluindo o binário da Avenida Liberdade, em Bayeux e Alça de Jacumã, no Conde. O programa possibilitará a construção de estradas que vão interligar rotas importantes para a economia do Estado, a exemplo de Vista Serrana; Pilar/Juripiranga; Mari/ Caldas Brandão; Picuí/Frei Martinho; Soledade/Picuí; Logradouro/ Div RN; Natuba/Umbuzeiro (uva e banana); Aguiar/Igaracy/Itaporanga; Sousa /Lastro; Maturéia/Princesa; Brejo do Cruz/Belém de Brejo e São José Piranhas/Bonito de Santa Fé.
Além disso, 21 estradas receberão pavimentação e outras serão completamente restauradas. Os recursos para o “Caminhos da Paraíba” vêm da Corporação Andina de Fomento (CAF), de alguns remanejamentos feitos no empréstimo realizado junto ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) e de recursos do tesouro.
Folha do sertão

sábado, 9 de abril de 2011

Jorge Viana: “Brasil não trata bem essa relação familiar”

Moreira Mariz/Senado
Jorge Viana, irmão de Tião Viana: relação familiar 
na política não é bem aceita
Os irmãos Viana são chamados por adversários políticos de “novos coronéis do Acre”. No poder do estado há quase duas décadas, os irmãos Tião Viana (PT) – atual governador do Acre – e o senador Jorge Viana (PT), ex-governador do estado e ex-prefeito de Rio Branco, rechaçam esse título, apesar de serem na atualidade os principais protagonistas do grupo político mais poderoso do estado. Filho do ex-deputado federal e ex-prefeito de Rio Branco Wildy Viana e sobrinho do ex-governador do Acre Joaquim Macedo, o senador Jorge Viana afirma ser “contra oligarquias atuando na política”. O parlamentar diz ver com “certa naturalidade” o fato de ter parentes na política, “desde que não se tenha um processo oligárquico”, e avalia que “o Brasil não trata bem essa relação de famílias e pessoas que ocupam cargos públicos”. “O posicionamento de algumas pessoas em relação a isso beira o preconceito. Quem dera que todos os brasileiros tivessem uma ação política ativa, pois ação política significa cidadania”, diz. “Não se pode misturar pessoas que ocupam cargos na vida pública por meio do voto popular com pessoas que, também com alguma legitimidade, foram nomeados para cargos. Às vezes, no Brasil se mistura isso”, defendeu. O senador afirma ser “absolutamente favorável que, independentemente da filiação e da origem familiar, as pessoas possam exercer plenamente os seus direitos de cidadão, principalmente sendo candidatos”. Jorge, assim como Tião, começou a vida pública na militância no movimento estudantil, se filiando tempos depois ao Partido dos Trabalhadores (PT), numa época em que o PT era um “partido que não tinha perspectiva de poder”. “No Acre, a gente começou pelo caminho mais difícil, fazendo política no campo da esquerda. Meu pai, que sempre militou na política, nunca quis fazer disso uma correia de transmissão para que eu e o Tião fôssemos aliados políticos dele. Nós tínhamos uma posição radicalmente contra a dele”, conta Jorge, enfatizando o caminho independente trilhado pelos irmãos, na esquerda, em contrapartida ao pai, de direita, que exerceu carreira pelas extintas UDN e Arena. Não é determinante
Sem parente em outros cargos eletivos, o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) acredita que o fato de ter parentes na vida pública ajuda, mas não é “determinante”. Sem tradições familiares no poder, Flexa Ribeiro defende que um mandato só prospera se tiver “trabalho e ação profissional”. “A tradição familiar pode ajudar, mas não é determinante para o sucesso eleitoral. O senador pelo Mato Grosso Pedro Taques, por exemplo, veio do Ministério Público. Ele nunca teve atividade política e surge no cargo mais elevado do Legislativo. Então, isso de tradição familiar é muito relativo. O sucesso na política depende muito mais do trabalho, da atividade e da ação do profissional, especialmente em seu estado de origem”, considerou.
Um dos fundadores do PMDB, o senador Pedro Simon (RS) avalia que o fato do parentesco na política deve ser analisado por dois ângulos. Primeiro, pelos exemplos de políticos que “efetivamente têm nomes tradicionais, mas que representam liderança e capacidade de força tão grande, que não se esgota com a morte, ou a saída do primeiro líder”. Segundo, de famílias que têm como objetivo dominar um estado. “Infelizmente, há casos na política brasileira dos chamados ‘chefes feudais’. São os conhecidos coronéis”, avalia. “Não é proibido um filho de político entrar na política. Mas quando um fulano coloca a mulher, o tio, o pai como suplente, por exemplo, como uma garantia de continuidade no poder, esse é um aspecto realmente negativo”, afirma. Para Simon, o aspecto negativo da influência familiar na política dentro do Congresso acontece quando um parlamentar perde a autonomia de atuação. “Na medida em que o parlamentar não tem autonomia, não tem personalidade própria no pensar, no expor ideias, no decidir e no votar, essa será uma pessoa que não somará, que não ajudará. Esse tipo de atuação pode, inclusive, prejudicar os trabalhos da Casa”, conclui.
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Dois terços dos senadores têm parentes na política.

Dos 85 parlamentares que exerceram o mandato este ano, entre titulares e suplentes, 57 têm alguma forma de parentesco com outros políticos. A bancada da família aumentou substancialmente nas últimas eleições
José Cruz/ABr
De cada três senadores, dois têm algum parente na política. Uma mostra veemente de como a política vai se tornando uma atividade familiar
O Senado está virando um ambiente familiar. Dois em cada três senadores têm algum parente na política. Dos 85 parlamentares que exerceram o mandato este ano, entre titulares e suplentes, 57 são filhos, netos, pais, irmãos, sobrinhos, tios, primos, cônjuges ou ex-cônjuges de políticos. Nessa extensa lista, aparecem 17 senadores que têm familiares exercendo mandato atualmente na Casa vizinha, a Câmara. Oito deles são pais de deputados. Outros dois deputados são pais de senadores. Os dados fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco sobre as relações de parentesco entre os parlamentares no Congresso.  A “bancada dos parentes” engordou nas últimas eleições. Dos 37 novos senadores eleitos em outubro, 25 têm laços de parentesco com outros políticos, condição desfrutada também por 11 dos 17 parlamentares reeleitos. Em dez estados, todos os três senadores são familiares de políticos: Alagoas, Maranhão, Paraíba, Piauí, Paraná, Rio Grande do Norte, Rondônia, Sergipe, São Paulo e Tocantins. Entre os partidos políticos, o PMDB é o que reúne mais parlamentares com ramificações políticas: 18 dos 22 que exerceram mandato pela legenda neste início de ano.Clique para conhecer a lista completa dos senadores e seus parentes políticos
Para o professor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Costa de Oliveira, a política é cada vez mais “um negócio de família” no Brasil. “Muitas vezes, isso passa de pai para filho. As eleições estão cada vez mais caras. Você tem de ter uma estrutura de dinheiro e uma estrutura familiar política que lhe dêem condições de elegibilidade. Isso é um fenômeno também de reprodução do poder político”, avalia o cientista político. No início da legislatura passada, 40 senadores – pouco menos da metade deles – vinha de famílias com tradição política, como mostrou o livro “O que esperar do novo Congresso – Perfil e Agenda da Legislatura 2007-2011”, feito pelo Congresso em Foco em parceria com o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). De lá pra cá, a bancada dos parentes cresceu 40%.
Teia familiar
A influência do parentesco na vida política dos senadores pode ser dividida em quatro grupos: há aqueles que entraram para a vida pública sob o apadrinhamento de familiares; os que alçaram vôos bem mais altos que seus parentes, e aqueles que inauguraram a tradição política da família e estão deixando herdeiros. Há, ainda, aqueles cujo parentesco parece ter tido pouca influência no sucesso político. No primeiro grupo, está, por exemplo, o senador Lobão Filho (PMDB-MA), que exerce o mandato na suplência do pai, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA). Lobão Filho nunca foi candidato a outros cargos, mas exerceu o mandato no Senado por dois anos na legislatura passada, mesmo sem ter recebido votos diretamente. O senador é filho da deputada Nice Lobão (DEM-MA). Quem também tem mãe na Câmara é o senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB), descendente de duas das mais tradicionais famílias políticas da Paraíba.
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Também integra a relação dos “herdeiros políticos” a senadora Marta Suplicy (PT-SP), ex-mulher do senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Sexóloga, Marta se lançou na política quando ainda era casada com o hoje colega de Parlamento. A petista virou prefeita de São Paulo, ganhou projeção nacional. Os dois se separaram, mas ela manteve o sobrenome político. Na oposição, o principal herdeiro é o senador Aécio Neves (PSDB-MG), neto do ex-presidente Tancredo Neves, filho do ex-deputado Aécio Cunha e primo do senador Francisco Dornelles (PP-RJ). A relação dos que conseguiram alcançar po sto mais alto que seus parentes políticos reúne desde a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), prima do deputado estadual Márcio Monteiro (PSDB); o senador Vicentinho Alves (PR-TO), primo do ex-prefeito de Porto Nacional (TO) Paulo Mourão (PT), e até o experiente Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), neto do ex-deputado estadual Francisco de Andrade Lima. Tio do deputado estadual Gustavo Negromonte (PMDB-PE), Jarbas faz parte também dos senadores que apadrinharam o ingresso de jovens parentes na política. Mas os principais representantes desse grupo são os senadores pais de deputados federais: Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), João Durval (PDT-BA), Renan Calheiros (PMDB-AL), Benedito de Lira (PP-AL), Kátia Abreu (DEM-TO), Wilson Santiago (PMDB-PB), José Agripino (DEM-RN) e José Sarney (PMDB-AP). Do Senado, eles acompanham de perto os trabalhos dos herdeiros Valadares Filho (PSB-SE), Sérgio Barradas Carneiro (PT-BA), Renan Filho (PMDB-AL), Arthur de Lira (PP-AL), Irajá Abreu (DEM-TO), Wilson Filho (PMDB-PB), Felipe Maia (DEM-RN) e Sarney Filho (PV-MA). Entre aqueles em que o familiar político parece ter tido pouca influência em seu sucesso eleitoral está a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS). Eleita para seu primeiro mandato político, Ana Amélia ficou viúva no início do ano do ex-senador Octávio Omar Cardoso, suplente que exerceu o mandato entre 1983 e 1987. Ana Amélia, porém, fez sua popularidade na TV. Foi comentarista econômica do grupo RBS por 33 anos, aparecendo diariamente na televisão no Rio Grande do Sul por boa parte desse tempo.
Parentes em alta
Um dos motivos que explica o aumento do número de parlamentares com parentesco na política são as campanhas cada vez mais caras. Na avaliação do professor Ricardo Costa de Oliveira, no atual sistema, é preciso o candidato ter cada vez mais recurso para se eleger. “E quem tem mais dinheiro e estrutura política são famílias que já estão no poder”, avalia. “No atual sistema político, só se elege quem é profissional, quem tem dinheiro, quem tem muita estrutura. Quem é amador, político novo, só com suas ideias, não consegue se eleger de primeira, com raras exceções”, afirma. Autor do livro A Teia do Nepotismo e da tese de doutorado O silêncio das genealogias – classe dominante e estado no Paraná – que analisou a estrutura de poder e de parentesco no Paraná –, Oliveira analisa que a família, como uma organização, consegue formar grandes “estruturas de poder”. “São grandes redes de cumplicidade e de favores, conectando o poder Executivo, Legislativo, Judiciário e todas as instituições do sistema político”, afirma, enfatizando que o Paraná, em termos de influência de famílias na política, não é diferente de estados como Alagoas e Maranhão. Para o cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), a perpetuação de famílias na política também é explicada pelas próprias estratégias dos clãs. O cientista analisa que, entre os familiares, há um “compartilhamento do know-how necessário para uma eleição”. “Você tem familiares com mandato, você tem fonte de informação sobre o que é necessário fazer para vencer uma eleição. Na medida em que o conhecimento é compartilhado, há uma vantagem estratégica. Você já sai numa eleição com referencias, com credenciais”, avalia Barreto. Na avaliação de Barreto, esse tipo de continuidade de famílias na política não é uma característica apenas da política brasileira, mas prevalece em regiões com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo. “Boa parte desse fenômeno acontece em sociedades mais tradicionais do ponto de vista de eleitores, que têm como critério de voto o costume. É muito comum escutar nas cidades: ‘Eu sou do grupo de fulano, de sicrano’. Hábitos políticos constituídos antes do atual sistema partidário”, conclui.
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Quase metade da bancada de SP tem parente político.

Dos 80 parlamentares que assumiram o mandato pelo estado este ano, 36 têm laços familiares com políticos. Oito famílias estão representadas ao mesmo tempo na Câmara e na Assembleia Legislativa. Saiba quem são eles
Brizza Cavalcante/Câmara
A poderosa família Tatto tem Jilmar na Câmara federal e irmãos na Assembleia e na Câmara municipal de São Paulo
A tradição de fazer política em família não é exclusividade dos estados mais pobres do país. A prática também se reproduz no estado mais rico da federação. Quase metade da bancada paulista tem laços familiares com outros políticos. Dos 80 parlamentares que assumiram o mandato por São Paulo, 36 têm algum parentesco com figuras políticas. O número é maior, por exemplo, do que toda a representação gaúcha no Congresso, composta por 35 congressistas. Os laços familiares na política se mostram mais extensos nas duas legendas que ocupam maior número de cadeiras dentro da bancada, o PSDB e o PT. Dos 18 tucanos paulistas que passaram pelo Parlamento este ano, dez são parentes ou cônjuges de políticos. Isso também ocorre com oito dos 17 petistas de São Paulo.
Atualmente, oito famílias acumulam representantes na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo. Duas delas exercem influência ainda maior e ocupam cadeiras nos três níveis do Legislativo (ou seja, também na Câmara de vereadores de São Paulo) : os Tatto e os Leite. Os dados fazem parte de levantamento exclusivo do Congresso em Foco, publicado desde segunda-feira (4), sobre as relações de parentesco político dos congressistas brasileiros.
Lá e cá
O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) é irmão do vereador da capital paulista Arselino Tatto (PT-SP) e do deputado estadual Ênio Tatto, líder do PT na Assembleia. Prestes a completar 22 anos, o deputado Alexandre Leite (DEM-SP) é filho do vereador paulistano Milton Leite (DEM) e irmão do deputado estadual Milton Leite Filho (DEM-SP), de 32 anos. Assim como Jilmar Tatto e Alexandre Leite, outros seis deputados federais têm parentes na Assembleia. O deputado José Mentor (PT-SP) é irmão de Antônio Mentor (PT). Outros três federais são pais de estaduais: Vinícius Camarinha (PSB) é filho de Abelardo Camarinha (PSB); Rodrigo Moraes (PSC) é herdeiro direto do Missionário José Olímpio (PP-SP), e Cauê Macris (PSDB) descende de Vanderlei Macris (PSDB-SP). Em outros dois casos, o parentesco não é sanguineo, mas por afinidade: Jefferson Campos (DEM-SP) é cunhado do deputado estadual Carlos César (PSC), e Alberto Mourão (PSDB-SP) é sogro de Cássio Navarro (PSDB).  Ao todo, cinco deputados paulistas exercem cargos que já foram exercidos por seus pais. Terceira mais votada na bancada nas últimas eleições, Bruna Furlan (PSDB-SP), de 27 anos, é filha do ex-deputado Rubens Furlan. Outro novato, Ricardo Izar (PV-SP) carrega o mesmo nome parlamentar do pai, morto há quase três anos. Em seu segundo mandato federal , estão Aline Correa (PP-SP), filha do ex-deputado Pedro Correa (PP-PE), cassado por envolvimento com o mensalão, e Carlos Zarattini (PT-SP), filho do ex-deputado Ricardo Zarattini (PT-SP). O mais experiente desse grupo de herdeiros políticos é Beto Mansur (PP-SP), que está em sua quarta legislatura. Beto é filho do ex-deputado Paulo Jorge Mansur.
Política “pulverizada”
A forma como as famílias paulistas alastram-se na política não parece diferir muito do que acontece em estados nordestinos, mostrados durante a semana pelo Congresso em Foco. Mas os deputados paulistas tentam buscar explicações não oligárquicas para as suas relações de parentesco. Argumentam que o modo de fazer política em São Paulo difere de outros estados, onde a tradição familiar é mais forte. Na avaliação de deputados ouvidos pelo site, a extensão do território e a diversidade da economia estadual fazem com que a política seja mais “pulverizada” em relação a unidades da federação menos populosas e mais pobres.
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“Não é uma coisa da natureza de São Paulo querer consolidar a presença de políticos. Tem alguns casos isolados. Mas não acho que seja uma dinâmica, como se tem no Norte ou no Nordeste. Em São Paulo, não há uma tradição de famílias”, defende Vanderlei Macris .Mas Vanderlei acaba admitindo que sua ação política ajudou a eleição de seu filho, Cauê Macris, para a Assembleia Legislativa. Embora insista que o que determinou a eleição do jovem de 28 anos, ex-vereador e presidente da Câmara Municipal de Americana (SP), foi sua própria trajetória política. “Meu filho era militante desde a época do Tucaninho (movimento do PSDB para estimular vocações políticas entre crianças). Com 16 e 17 anos, entrou na juventude do PSDB. E foi com esse estímulo que decidiu disputar uma vaga na Câmara de Americana (SP), sendo um dos mais votados da cidade. Foi presidente da Câmara e lá fez um trabalho muito interessante. Então, ele foi criando espaço próprio. Ele tem uma dinâmica política própria”, conta.
Lideranças formadas
Irmão do vereador paulistano Roberto Tripoli, o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) também insiste que as relações de parentesco em São Paulo não formam um modelo oligárquico. “Em São Paulo, você não tem essa questão antiga das oligarquias. Você não tem mais aqueles que dominavam a economia do país pelo estado de São Paulo, que interferiam na questão política. Acho que em São Paulo existem lideranças políticas que se foram se formando ao longo do tempo. No caso do meu partido, lideranças criadas sob a ética de grandes lideranças como Mário Covas, Fernando Henrique, Franco Montoro. Há um campo novo de atuação”, diz.
O deputado conta que ele e o irmão entraram para a política a partir do movimento estudantil. Os dois irmãos têm a imagem associada à defesa do meio ambiente e da sustentabilidade. “O nosso nome é identificado com a bandeira ambiental. Mas cada um tem o seu tipo de atuação. O envolvimento partidário dele, por exemplo, é um e o meu é outro. Nisso não confundimos os mandatos”, afirma. Ricardo Tripoli diz que ele e o irmão entraram para a política apesar dos apelos em sentido contrário do pai, Ricardo de Alvarenga Tripoli. “Meu pai, que já tinha sido secretário do Turismo da cidade de São Paulo, dizia que essa função de ser político era muito ingrata, porque a gente teria muitos dissabores na vida, muitas dificuldades. Então, acho que isso se tornou um desafio, tanto para mim, quanto para o Roberto. Acho que esse estímulo do meu pai foi meio inverso. E, depois que nos elegemos, ele se tornou um grande colaborador nosso”, conta.
Vocação
O deputado diz que não há uma justificativa para o fato de mais da metade da bancada tucana de São Paulo ter parentes na política. “Acho que não tem nenhuma correlação. Se fosse uma questão familiar, por exemplo, eu tenho outros dois irmãos que poderiam estar na política, mas um é da área de comunicação e o outro empresário. São Paulo é um pouco diferente essa relação, a escolha política vai muito da vocação da pessoa”, avalia. O cientista político Leôncio Martins Rodrigues levanta a “hipótese” de que a predominância de tucanos e petistas na “bancada dos parentes” em São Paulo tem relação com a possibilidade uma rápida ascensão social pela política. “A impressão que tenho é que os deputados dos partidos de centro e esquerda (como o PSDB ou o PT) tendem a ter mais parentes na política. Uma hipótese é de que a atividade política profissional atrai mais os políticos que estão vindo das classes médias assalariadas porque cargos oriundos da política possibilitam uma ascensão social e econômica rápida. Mas isso é uma hipótese”, pondera o professor da Universidade de Campinas (Unicamp).
“Profissionais”
Para ele, quem vem de família com tradição política costuma ser mais preparado do que seus colegas que nasceram em outro ambiente. “Os que nascem em famílias de políticos, só por esse simples fato, já estão melhor preparados para a vida política. Se familiarizam desde cedo com os fatos da vida pública. Além disso, podem contar com os ‘apoios’ construídos pelos mais velhos que já estão na política”, afirma. O nome familiar ao eleitorado e a existência de uma máquina eleitoral já azeitada, com cabos eleitorais e aliados, também favorecem os herdeiros políticos. “Se examinarmos a biografia de um Aécio ou ACM Neto, vemos que eles começaram a ser preparados para a política muito cedo trabalhando nos gabinetes dos avós”, considera. Na avaliação do professor, a atividade política nas democracias deve ser vista como uma “profissão”. “Os políticos profissionais, que vivem para a política e da política, não gostam de serem considerados como profissionais da política. Preferem ser considerados ‘representantes do povo’. Mas o fato de serem classificados como profissionais da política não é necessariamente pejorativo. Nada indica que os amadores seriam melhores”, considera. Para Leôncio, é melhor que os políticos sejam realmente profissionais. “Na verdade, não há outro jeito de as democracias funcionarem a não ser por meio dos políticos. Para meu gosto, é melhor os políticos profissionais, que devem ser eleitos, do que generais, iatolás, secretários-gerais ou ex-comandantes guerrilheiros”, declara o cientista político.

Deputados dizem ter mais que sobrenome.

Herdeiros políticos, parlamentares paraibanos afirmam que parentesco ajuda na primeira eleição, mas que eles sobrevivem graças a projetos próprio.
Parlamentares paraibanos vindos de famílias de políticos admitem que ter um sobrenome famoso ajuda, sobretudo, na primeira eleição. Mas, para sobreviver politicamente, é preciso ter projeto próprio, segundo os deputados ouvidos pelo Congresso em Foco.Neto de políticos por parte de pai e de mãe, Hugo Motta (PMDB) afirma que a tradição familiar na política contribuiu para a sua eleição. Aos 21 anos, o mais jovem parlamentar da atual legislatura conta que, desde criança, tem a política como parte de sua vida.
Mas, apesar da afinidade e da ligação política com os parentes, Hugo considera que empunha bandeiras diferentes e “mais atuais” do que as defendidas por seus familiares. “Algo de novo, temos. Os tempos são outros, vivemos num período de crescimento, então os problemas vão mudando”, afirma. Filho do prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley, Motta conta que, quando criança, “tomava café da manhã, almoçava e jantava política” e que foi essa atmosfera que o levou a se eleger. “Você participa e vai acontecendo. O reconhecimento por ter parentes que prestaram um bom serviço ao estado, especialmente no Sertão da Paraíba, vem das urnas. Foi matemática e química para atingirmos o êxito”, afirma o parlamentar mais jovem do Congresso. A influência da “questão genética” também é reconhecida pelo deputado Ruy Carneiro (PSDB). Sobrinho-neto do ex-governador e ex-senador Ruy Carneiro e do ex-deputado Janduhy Carneiro Sobrinho, Ruy afirma, no entanto, que a tradição de sua família não teve uma sequência, uma sucessão de pai para filho, por exemplo.
Carneiro atribui sua primeira eleição a deputado federal à própria trajetória. “O meu nome ser igual ao do ex-senador Ruy Carneiro não deixa de ser uma referência positiva. Na primeira eleição, acho que teve mais influência. Mas já fui vereador, deputado estadual por três vezes e agora deputado federal. A tradição familiar na política contribuiu, mas não tanto pela distância, não houve uma sequência de geração”, afirma Carneiro. Ruy Carneiro governou o estado na década de 1940 e passou quase 30 anos no Senado.
História própria
Para o deputado Romero Rodrigues (PSDB), primo do ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima (PSDB), a simples observação sobre a influência de parentesco na política pode prejudicar pessoas que têm uma trajetória política própria. O parlamentar reconhece que há casos de político eleitos “exclusivamente pela questão familiar”, mas afirma que não é esse o caso dele.Primo do vereador de Campina Grande Rodolfo Rodrigues e sobrinho do ex-vereador da cidade Antônio Rodrigues, Romero afirma que cresceu na política por saber escrever “sua própria história”. “Tenho muita honra de ser parente de Cássio. Mas fui vereador quatro vezes, deputado estadual e depois deputado federal. O parentesco tem, mas você tem que escrever sua própria história”, diz. Ele também é sobrinho por afinidade do ex-governador Ronaldo Cunha Lima, pai de Cássio.Na avaliação de Romero Rodrigues, a influência de parentes na política ajuda quando há um exemplo bem sucedido na política. “O Ronaldo, por exemplo, tem um exemplo bonito de realizações. Isso, de fato, ajuda, porque eles terminam sendo bons exemplos, e as pessoas te vinculam aos bons exemplos, mas graças a Deus tenho a tranqüilidade de dizer que tenho uma história de bastante trabalho e reconhecimento do povo”, diz Romero Rodrigues.
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Único integrante da bancada da Paraíba sem parente na política, Luiz Couto diz que predomínio de famílias inibe renovação de ideias e perpetua prática do ‘toma lá, dá cá’
Único parlamentar paraibano a não ter familiares na política, o deputado Luiz Couto (PT) critica a influência política de parentes nas eleições. Para Couto, a sucessão de poder em um mesmo núcleo familiar preocupa por impedir, entre outras coisas, a renovação das propostas políticas. O deputado afirma que, em seu estado, muitos políticos ainda adotam a prática do coronelismo, mas um “coronelismo moderno”. “Continuam tendo um discurso bonito, mas a prática é do ‘toma lá, dá cá’, com forte poder econômico e fortalecimento das relações familiares, na lógica de ‘primeiro, os meus’. É o chamado nepotismo político. Essa é uma realidade que nos preocupa”, disse. O deputado paraibano critica também a indicação de parentes para a suplência de senadores, prática ainda comum no Senado. Como mostrou o Congresso em Foco em novembro, cinco dos 54 senadores eleitos em outubro têm parentes na própria suplência.
“Na reforma política, nós temos que acabar com isso. Há senadores que colocam filho, tio, pai de suplente. Isso é nepotismo politiqueiro. Precisamos mudar isso. Precisamos mudar isso numa reforma política que não seja apenas pano novo em roupa velha”, disse Couto. O ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara também avalia que é preciso criar uma nova cultura política, em que os eleitores percebam a coerência entre o que se fala e o que se faz. “São duas coisas: coerência e ética. Precisamos ter uma cultura onde a consciência política cresça. E isso passa pela educação, não só a educação de conhecimento, mas para a cidadania. O eleitor precisa saber que o voto é uma arma, que se ele der o tiro errado, o tiro se volta contra ele”, compara Couto.
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 Pai senador, filho deputado. Mãe deputada, filho senador. Essas são algumas das curiosidades da bancada paraibana no Congresso: dos 15 representantes do estado, 14 têm parentes na política
Brizza Cavalcante/Ag. Câmara
Essas famílias são muito unidas. Dos 15 deputados e senadores da Paraíba, apenas Luiz Couto não tem parentes na política
Mais que um bom nome, é preciso ter um bom sobrenome para chegar ao Congresso pela Paraíba. Dos 12 parlamentares que representam o estado na Câmara, apenas um – o deputado Luiz Couto (PT-PB) – não tem parente na política. No Senado, os três representantes paraibanos também têm familiares na vida pública. São filhos, pais, netos, sobrinhos, tios, primos e cônjuges de ex-governadores, prefeitos, vereadores, deputados e senadores. Uma tradição que vem desde os tempos da chamada República Velha (1889-1930) e se reproduz na figura dos dois mais jovens deputados da atual legislatura, os paraibanos Hugo Motta (PMDB) e Wilson Filho (PMDB), ambos de 21 anos e filhos de políticos. É por isso que a bancada da Paraíba foi escolhida pelo Congresso em Foco para abrir uma série que investigará como e por que a política no Brasil vem se tornando uma atividade familiar. Ao longo desta semana, você verá outros exemplos da força das oligarquias políticas brasileiras, e como o parentesco entre os políticos cresceu no Congresso como resultado das eleições do ano passado. Para analistas políticos ouvidos pelo Congresso em Foco, a concentração de poder nas mãos de um grupo restrito de famílias é resquício do coronelismo e do poderio das oligarquias que se revezaram no comando do estado no século passado. Uma prática que, segundo eles, está longe de acabar. Parlamentares que conseguiram o mandato no embalo de parentes políticos reconhecem que o sobrenome foi importante para a primeira eleição, mas minimizam a importância do parentesco na continuidade da vida pública. Eles argumentam que sobrevivem na política porque têm projetos próprios (leia mais).
O revezamento de famílias no comando da política está longe de ser uma exclusividade da Paraíba, como mostrará esta série. Num país em que o interesse pela política é limitado, a atividade tem a imagem desgastada por sucessivos escândalos e as campanhas eleitorais estão cada vez mais caras, o berço político acaba abrindo muitas portas.
De pai para filho
Nascido um ano após a promulgação da Constituição de 1988, Wilson Filho chegou ao Congresso pelas mãos do pai, o senador Wilson Santiago (PMDB-PB), ex-líder do PMDB na Câmara. Ele é apenas um mês mais velho que Hugo Motta, o mais jovem congressista brasileiro. Hugo é filho do atual prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley Filho, e neto do ex-prefeito da cidade Nabor Wanderley. Pelo lado materno, é neto do ex-deputado Edvaldo Motta, já falecido, e da deputada estadual Francisca Motta (PMDB). Assim como Wilson Filho, que tem a companhia do pai, quem também não pode se queixar de solidão no Congresso é o senador Vital do Rego Filho (PMDB-PB). Herdeiro do ex-deputado Vital do Rego (PMDB-PB), que morreu no ano passado, o senador é filho da deputada Nilda Gondim (PMDB-PB). O pai de Nilda, Pedro Gondim, governou a Paraíba duas vezes. O poderio da família se estende pela segunda cidade mais populosa do estado, Campina Grande, administrada atualmente por Veneziano Vital do Rego (PMDB), filho da deputada e irmão do senador.
Cunha Lima x Maranhão
Principais adversários na política paraibana na atualidade, as famílias Cunha Lima e Maranhão também têm representantes no Congresso. De volta à Câmara, após quatro anos sem mandato, o deputado Benjamin Maranhão (PMDB-PB) é sobrinho do ex-senador José Maranhão (PMDB-PB), último governador da Paraíba. O também deputado Romero Rodrigues (PSDB-PB) é primo do antecessor de Maranhão no governo da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB-PB). Candidato mais votado no estado para o Senado em 2010, Cássio Cunha Lima foi barrado pela Lei da Ficha, cuja validade foi adiada para 2012 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O ex-governador se prepara para assumir a vaga do senador Wilson Santiago, terceiro colocado na disputa. A candidatura do tucano havia sido indeferida porque ele foi cassado por abuso de poder político e econômico e uso indevido dos meios de comunicação para tentar influir na eleição de 2006. No Senado, Cássio vai ocupar uma cadeira que já foi do pai, Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), e também do tio Ivandro Cunha Lima. Ronaldo Cunha Lima renunciou ao mandato de deputado federal em 2007 para escapar do julgamento do processo a que respondia por tentativa de homicídio, por ter atirado no ex-governador Tarcísio Burity em novembro de 1993. Cássio terá como companheiro de bancada partidária e estadual o senador Cícero Lucena (PSDB-PB). No meio do mandato no Senado, o ex-prefeito de João Pessoa é casado com a ex-vice-governadora Lauremília Lucena. Ele é tio do ex-deputado estadual Fabiano Lucena, de 31 anos, e primo do ex-presidente do Senado Humberto Lucena. Fabiano Lucena deixou a Assembleia Legislativa. Quem está lá agora é Caio Roberto, filho do deputado Wellington Roberto (PR-PB).
Em nome da família
A bancada paraibana na Câmara também traz representante de quem não conseguiu se reeleger no Senado. Em seu segundo mandato na Câmara, o deputado Efraim Filho (DEM-PB) dá continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, o ex-senador Efraim Morais (DEM-PB). Atual secretário estadual de Infraestrutura, Efraim ficou na quarta colocação na corrida ao Senado em outubro. Efraim Filho tem outros parentes na política: é sobrinho do ex-secretário estadual de Saúde Joácio Morais, primo do prefeito de Santa Luzia (PB), Ademir Morais, e do vice-prefeito de São Mamede (PB), Neto Morais. O deputado é neto, por parte de mãe, do ex-deputado estadual João Feitosa e, por parte de pai, do ex-deputado estadual Inácio Bento de Morais. Outro parente de ex-senador é o novato Ruy Carneiro (PSDB-PB). O deputado é sobrinho-neto do ex-senador Ruy Carneiro, que permaneceu no Senado por 28 anos e governou a Paraíba entre 1940 e 1945, e do ex-deputado Janduhy Carneiro. Também estreante no Congresso, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) ocupa hoje uma cadeira que já foi preenchida pelo pai, o ex-deputado Enivaldo Ribeiro. Aguinaldo também é filho da prefeita de Pilar (PB), Virgínia Velloso, e irmão da deputada estadual Daniela Ribeiro. O deputado Manoel Junior (PMDB-PB) é o primeiro da família a alcançar uma vaga na Câmara. Manoel é sobrinho do ex-prefeito de Itambé (PE) Renato Ribeiro da Costa e da prefeita de Pedras de Fogo (PB), Maria Clarice Ribeiro Borba. Outro que ocupa um posto inédito para sua família é Damião Feliciano (PDT-PB). O pedetista tem como herdeiro político o filho Renato Feliciano, que foi vereador em Campina Grande. Renato é o atual secretário estadual de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba. A mulher do deputado, Lígia Feliciano, tentou entrar para a política duas vezes. Foi candidata a senadora em 1998 e a vice-prefeita de Campina Grande na chapa encabeçada por Rômulo Gouveia (PSDB), atual vice-governador, em 2008. Nas duas vezes, porém, ela não conseguiu se eleger.  
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Em Mossoró, só dá político na árvore dos Rosado.

Atualmente, oito integrantes da família exercem mandato eletivo, incluindo a governadora Rosalba. Núcleo familiar só perdeu uma eleição desde 1948 e disputa entre si o poder local
Prefeitura de Mossoró
Mossoró, terra do sol, do sal e do petróleo, teve apenas quatro prefeitos nas últimas três décadas. Todos Rosado
Um dos municípios mais prósperos do interior do Nordeste, Mossoró (RN) é o maior produtor de petróleo em terra e de sal marinho do país. Mas o solo da cidade, localizada a 285 km a oeste de Natal, produz mais que “ouro negro” e riqueza mineral. Brotou-se ali, no semiárido potiguar, uma das árvores genealógicas mais férteis de que se tem notícia na história recente da política brasileira: a família Rosado.
Atualmente, oito integrantes do clã exercem mandato eletivo, a começar pela governadora Rosalba Ciarlini Rosado (DEM), que renunciou ao Senado para assumir o governo no início do ano, passando pelos primos deputados federais Betinho Rosado (DEM-RN) e Sandra Rosado (PSB-RN), por dois deputados estaduais e dois vereadores e terminando na prefeita da cidade, Fátima Rosado (DEM), a Fafá. Do início do século passado pra cá, essa árvore já frutificou dois governadores, dois senadores, cinco deputados federais e sete prefeitos, além de diversos vereadores. Desde 1948, os Rosado perderam as eleições municipais uma única vez, em 1968. Ainda assim, por uma diferença mínima de 98 votos, e para um candidato que havia exercido o cargo anteriormente com o apoio deles. Até o final dos anos 70, só havia duas formas de ser prefeito de Mossoró: ser da família Rosado ou ter o apoio dela. Mas, nas últimas três décadas, só há uma maneira. Tem de ser necessariamente da família. De 1982 pra cá, a cidade de 250 mil habitantes teve apenas quatro prefeitos, todos Rosado. Dix-huit Rosado exerceu dois mandatos, Rosalba Ciarlini, três, e Fátima Rosado está em seu segundo governo. Sandra Rosado chegou a exercer o mandato por 70 dias com a morte do tio, Dix-huit, de quem era vice, em outubro de 1996. Mas quem disse que não há oposição aos Rosado em Mossoró? Existe, sim, e é exercida por... adivinhe quem? Pelos próprios Rosado.
Rivalidade familiar
Dois grupos disputam o poder dentro da própria família: a ala liderada hoje pela governadora Rosalba e seu marido, o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, e pelo irmão dele, o deputado Betinho Rosado; e o grupo encabeçado pela deputada Sandra Rosado e seu marido, o ex-deputado Laíre Rosado. Ele é primo de Sandra e de Carlos Augusto e Betinho. Pelo lado materno, Sandra é também prima de Rosalba. Uma rivalidade que começou a se ensaiar nas eleições de 1982, ganhou força no pleito de 1986 e se escancarou de vez na disputa de 1988, quando, pela primeira vez, os Rosado se enfrentaram diretamente nas urnas. Naquele ano, a então pedetista Rosalba venceu o confronto com Laíre Rosado e conquistou o primeiro de seus três mandatos como prefeita de Mossoró.Desde então, o grupo da atual governadora só perdeu uma das seis últimas eleições municipais para a outra facção da família. Foi em 1992, quando Dix-huit Rosado, que tinha a sobrinha Sandra como vice, se elegeu pela terceira vez. Com a morte do tio ainda no cargo, coube à vice-prefeita concluir os últimos dias de seu mandato.
Sucessão
O grupo não conseguiu mais retomar a hegemonia política. A principal aposta do grupo de Sandra e Laíre Rosado para reconquistar a prefeitura de Mossoró é caseira. Aos 36 anos, Larissa Rosado, filha do casal, lidera as pesquisas de intenção de voto para 2012. Deputada estadual em terceiro mandato, ela perdeu duas vezes a eleição municipal para a atual prefeita Fafá, que deu seus primeiros passos na política pelas mãos de Sandra. A relação entre as primas azedou. Mais que adversárias, a deputada e a prefeita são hoje inimigas declaradas. Uma não dirige a palavra à outra, no melhor estilo grande família. Os primeiros sinais de desavença política na família ocorreram em 1982, quando o então deputado estadual Carlos Augusto Rosado contrariou as orientações do tio Vingt Rosado e declarou voto no primo e hoje senador José Agripino Maia ao governo do estado. Pai de Sandra, o ex-deputado Vingt Rosado apoiou o grande adversário dos Maia, o ex-governador Aluizio Alves (PMDB). Agripino saiu vitorioso das urnas.  O troco viria quatro anos mais tarde, quando o confronto ficou mais explícito. O grupo de Carlos Augusto apoiou João Faustino e perdeu a eleição para o candidato de Vingt Rosado, o governador Geraldo Melo. Desde então, os galhos da árvore genealógica iniciada pelo patriarca Jerônimo Rosado nunca mais penderam para um lado só.
O patriarca
Nascido em Pombal, na Paraíba, em 1861, o farmacêutico Jerônimo Rosado desembarcou em Mossoró em 1890 e lá fincou as raízes da família na política. Entre 1917 e 1922, foi eleito duas vezes intendente – espécie de prefeito à época – de Mossoró. O patriarca teve 21 filhos de dois casamentos – três do primeiro e 18 do segundo – com as irmãs Maria Amélia e Isaura Maia. Jerônimo e Isaura recorreram a uma maneira excêntrica para nomear os filhos: incluíram algarismos em francês em seus nomes, conforme a ordem de nascimento. Foi assim a partir da 11ª filha – Laurentina Onzième (décima-primeira, em francês) Rosado até o caçula Jerônimo Vingt-un (21, em francês) Rosado Maia, passando por Jerônimo Dix-sept Rosado, que passaria à condição de mito local ao morrer num desastre aéreo menos de cinco meses após assumir o governo do Rio Grande do Norte, em 1951.
O PODER DOS ROSADONúcleo familiar tem nove integrantes no exercício do mandato e outros três cargos de primeiro escalão na prefeitura de Mossoró
Rosalba Ciarlini Rosado (DEM-RN)Governadora do Rio Grande do Norte. É casada com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, que é primo de Sandra. Rosalba é prima de Sandra pelo lado materno, da família Escóssia.
Betinho Rosado (DEM-RN)Deputado federal, primo da deputada Sandra Rosado (PSB-RN)
Sandra Rosado (PSB-RN)Deputada federal, prima do deputado Betinho Rosado (DEM-RN)
Fátima Rosado (DEM), a "Fafá" Prefeita de Mossoró. É prima e adversária de Sandra, ligada ao grupo da governadora Rosalba Ciarlini. Também é prima do deputado Betinho Rosado.
Ruth Ciarlini (DEM)Vice-prefeita de Mossoró. É irmã de Rosalba é prima de Sandra Rosado.
Larissa Rosado (PSB)Filha de Sandra e Laíre Rosado, é deputada estadual
Lahyre Rosado Neto (PSB), o "Lairinho"
Filho de Sandra e Laíre Rosado, é vereador em Mossoró
Marcos Giovane Rosado (PR), o "Marquinhos Churrasco"Vereador em Baraúna - cidade distante 32km de Mossoró. É filho do empresário Tarcísio Rosado, que é primo de Sandra, Betinho e Carlos.
Leonardo Nogueira (DEM)Deputado estadual. É marido da prefeita de Mossoró, Fátima Rosado.
Também ocupam cargos de primeiro escalão em Mossoró:
Noguchi RosadoSecretário da Controladoria do Município, é irmão de Fafá Rosado.
Gustavo Rosado Chefe de Gabinete da Prefeitura, é irmão de Fafá Rosado.
Alex Moacir PinheiroSecretário de Serviços Urbanos, genro de Noguchi Rosado.
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Rosalba refuta oligarquia e diz que "povo escolhe"

Rosalba refuta oligarquia e diz que povo escolhe.

Governadora diverge do marido, o ex-deputado Carlos Augusto Rosado, que diz que a família é “uma oligarquia desde 1890”. Para ela, termo é pejorativo e Mossoró “respira liberdade”
Agência Senado
“Minha família é tão grande que tenho 37 tios. Só eu e minha irmã Ruth entramos para a política", diz Rosalba Ciarlini

“Somos uma oligarquia desde 1890. Todos os nossos mandatos foram conquistados com o voto”, diz o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (DEM-RN), antes de ser “corrigido” pela mulher, a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini (DEM). “Eu não aceito e considero inapropriado esse termo, que é pejorativo. Acho que ele se expressou mal. Não somos uma oligarquia, porque fomos eleitos livremente. O povo é que escolhe”, diverge a governadora. Os dois conversaram com o Congresso em Foco no saguão do Aeroporto Internacional de Brasília na noite da última sexta-feira (1º).
Rosalba ocupa hoje o cargo mais elevado entre todos os Rosado, família para a qual entrou há 36 anos após se casar com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado. Prefeita de Mossoró por três mandatos, Rosalba é prima, pelo lado materno, de uma das principais lideranças da ala adversária da família, a deputada Sandra Rosado (PSB-RN), também prima de Carlos Augusto. “Nossos primos são nossos grandes adversários, mas o nosso grupo é hegemônico”, afirma o ex-deputado. “Quando éramos jovens, nossa luta era da pedra para o fuzil. Agora já estamos velhos”, acrescenta ele, lembrando que a disputa entre os dois grupos já foi mais acirrada. A governadora diz que poucos fazem política na família Ciarlini e que começou sua vida política no PDT, diferentemente do marido, que foi da Arena para o PFL, hoje DEM, partido de Rosalba. “Minha família é tão grande que tenho 37 tios. Só eu e minha irmã Ruth (Ciarlini) entramos para a política. Não temos tradição”, conta. Ruth é vice-prefeita de Mossoró, na gestão de Fátima Rosado (DEM-RN), prima de Carlos Augusto.
“Mãos limpas”
O ex-deputado estadual afirma que o segredo da longevidade dos Rosado no poder em Mossoró se resume a “trabalho, realizações e mãos limpas”. “Somos bisbilhotados o tempo todo. Nossa presença na política é oxigenada pelo voto”, diz. “Mossoró respira liberdade”, emenda Rosalba, antes de destacar que o município aboliu a escravatura em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea, e abrigou o primeiro sindicato, a primeira eleitora e a primeira reitora do país. “E a primeira mulher a presidir a Unimed, que foi Rosalba”, acrescenta Carlos Augusto, referindo-se à cooperativa de médicos. O casal diz esperar que seus filhos não sigam a vida política. “Eles só terão meu apoio para entrar na política se estiverem bem resolvidos, porque não considero a política uma profissão, mas uma atividade”, afirma a governadora. “Nossa família era riquíssima. Empobrecemos na política. Restou apenas o patrimônio da atividade política”, afirma Carlos Augusto Rosado. Rosalba tem a missão de ser a primeira Rosado a concluir o mandato no governo do Rio Grande do Norte. Antes dela, apenas o sogro, Dix-sept Rosado, havia alcançado o degrau mais alto do Executivo potiguar. Mas o mandato foi interrompido precoce e tragicamente por um desastre aéreo, menos de cinco meses após a posse de Dix-sept como governador em 1951.
“Falácia” e “imaginário”
Alvo de 26 processos na Justiça movidos pela prefeita Fátima Rosado, o jornalista e blogueiro Carlos Santos diz que é uma “falácia” a declaração da governadora de que em Mossoró se respira “liberdade”. “Minha visão em relação aos Rosado é que eles possuem mérito para tamanha longevidade e apogeu. O patriarca Jerônimo Rosado preparou os filhos para o poder, investindo em densa formação educacional, baseada a partir de seus princípios positivistas", afirma. Jornalista há 26 anos, ele diz que a família procura dar uma “aura mitológica” para legitimar seu poderio. “É frágil a tese de que tudo foi conquistado pelo voto e, por isso, é democrático. Na verdade, temos uma atmosfera social e institucional aparelhada há decênios, para dar uma aura mitológica e de legitimidade a esse poderio. Boa parte deles tornou-se profissional da política e vive dela, ao contrário do que ocorria nos primórdios, na primeira e segunda geração Rosado", considera. Autor da tese de doutorado Memória e imaginário político na (re)invenção do lugar: os Rosados e o país de Mossoró, o geógrafo José Lacerda Alves Felipe diz que a exaltação de feitos históricos da cidade, como os citados por Rosalba, são uma característica da família. “Mesmo sem ter participado desses fatos, eles tentam se incluir neles”, explica o professor aposentado da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). “Na sociedade local, eles se confundem com os heróis locais e seus feitos. A historiografia da cidade é recontada por eles, que selecionam fatos heróicos e históricos. Eles fazem com que a sociedade confunda esses mitos com eles mesmos. As coisas que eles criam é como se tivessem cumprindo uma ordem dos antepassados”, acrescenta Lacerda.
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Dos 13 parlamentares que assumiram o mandato pelo estado na atual legislatura, oito são dos clãs Maia, Alves e Rosado. Nenhuma bancada tem poder tão concentrado em núcleos familiares como a potiguar
Maia, Rosado, Alves. Sem esses sobrenomes muito dificilmente se faz política no Rio Grande do Norte
O pai senador chama o filho de nobre deputado. O filho senador chama o pai de nobre senador e o primo, de nobre deputado. A deputada chama o primo, seu adversário político, de nobre deputado. Na bancada do Rio Grande do Norte no Congresso é assim: política se faz em família. Mais especificamente por três famílias. Nenhuma bancada tem o poder tão concentrado nas mãos de tantos parentes como a potiguar. Dos 13 parlamentares que assumiram o mandato na atual legislatura pelo estado, oito carregam um dos três sobrenomes: Maia, Alves ou Rosado. Outros três deputados também têm parentes na política. Apenas dois parlamentares – a deputada Fátima Bezerra (PT-RN) e o senador Paulo Davim (PV-RN), suplente em exercício – não são de família política. O senador que chama o filho de nobre deputado é José Agripino Maia (RN), ex-líder do DEM no Senado. O filho senador que chama o pai de nobre colega é o licenciado Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), herdeiro do também senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), tio do deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). A deputada que chama o primo de nobre deputado é Sandra Rosado (PSB-RN). Ela e o primo deputado Betinho Rosado (DEM-RN) representam duas alas da família que se digladiam pelo poder local. Líder do PMN na Câmara, Fábio Faria também vem de linhagem política. Seu pai, Robinson Faria, foi presidente da Assembleia Legislativa por duas legislaturas e atualmente é vice-governador. Eles são parentes distantes da ex-governadora Wilma Faria (PSB). Outros três deputados potiguares têm berço político: Rogério Marinho (PSDB), neto do ex-deputado Djalma Marinho e filho do suplente de senador Valério Marinho; Paulo Wagner (PV), neto do ex-vereador de Areia Branca (RN) Euclides Leite Rebouças, e João Maia (PR-RN), primo distante de Agripino e Felipe Maia, é irmão do deputado distrital Agaciel Maia (PTC), ex-diretor-geral do Senado.
Em Mossoró, só dá político na árvore dos Rosado
Rosalba refuta oligarquia e diz que povo escolhe
Mídia e herdeiros
Além da tradição política iniciada em meados do século passado, as famílias Maia, Alves e Rosado têm em comum o controle de importantes veículos de comunicação, como rádios, TVs e jornais, e a preparação de herdeiros políticos na linha de sucessão, uma mostra de que seu poderio está longe de acabar. Filho do ex-deputado e ex-governador Tarcísio Maia, primo do ex-governador Lavoisier Maia, Agripino tem no filho Felipe Maia, de 37 anos, seu sucessor político. Os dois são sócios da TV Tropical, afiliada da Record no Rio Grande do Norte, e de emissoras de rádio que fazem parte da Rede Tropical. A influência política dos Maia transcende as divisas do Rio Grande do Norte. O tio de Agripino, João Agripino Maia foi senador e governador da Paraíba, berço da família. Recém-empossado na presidência do Democratas, o senador é também primo do ex-prefeito do Rio César Maia (DEM), pai do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente do DEM.
Pais e filhos
Licenciado do mandato desde o início do ano, quando assumiu o Ministério da Previdência, Garibaldi Alves Filho teve pouco tempo para dividir a bancada com o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN). Ex-vice-governador, Garibaldi Alves herdou a vaga da ex-senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), de quem era suplente, com a eleição dela para o governo do estado. Garibaldi pai e Garibaldi Filho já preparam sucessor: o deputado estadual Walter Alves (PMDB), de 30 anos, filho do ministro da Previdência. Mais idoso entre todos os senadores, com 87 anos, Garibaldi Alves tem no sobrinho outro detentor de impressionante marca. Aos 62 anos, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves é atualmente o deputado mais antigo da Câmara, aquele que detém o maior número de mandatos. Na Casa desde 1971, Henrique Eduardo caminha para um recorde: está no 11º mandato, mesma marca alcançada pelo ex-deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP). Ele chegou ao Congresso logo após a cassação do pai, o ex-deputado, ex-governador e ex-ministro Aluizio Alves. Historicamente ligada ao PMDB, a família Alves também tem hoje ramificações no PDT: é o irmão de Aluizio e Garibaldi, o deputado estadual Agnelo Alves (PDT-RN). Ex-prefeito de Natal e Parnamirim, Agnelo chegou a ocupar uma vaga no Senado como suplente. O filho dele, Carlos Eduardo Alves (PDT), foi prefeito de Natal e concorreu no ano passado, sem sucesso, ao governo do Rio Grande do Norte. A família Alves criou o Sistema Cabugi de Comunicação, do qual fazem parte a InterTV Cabugi, afiliada da Globo no Rio Grande do Norte, e emissoras como a Rádio Globo Natal e a Rádio Difusora (Mossoró), e o jornal Tribuna do Norte, periódico presidido por Henrique Eduardo Alves.
Rosado x Rosado
Os Rosado também têm seus veículos de comunicação, como a TV Mossoró, a FM 93, o jornal O Mossoroense, e a Rede Potiguar de Comunicação (RPC). Casada com o primo e ex-deputado Laíre Rosado, Sandra também tem herdeiro político: Lahyre Rosado Neto (PSB) é vereador em Mossoró e a filha Larissa Rosado (PSB) é deputada estadual. Sandra e Betinho encabeçam dois grupos que rivalizam dentro da própria família. Os Rosado comandam a política em Mossoró, segunda maior cidade do estado, há mais de meio século (link para matéria sobre os Rosado). Na falta de rivais fora da família, os Rosado se tornaram os principais inimigos dos Rosado. Uma ala, liderada por Sandra e seu marido, o ex-deputado Laíre Rosado, seu primo, deixou o antigo PDS para se abrigar no PMDB em 1985, onde ficou até 2004, quando passou para o PSB. A outra, capitaneada pelo ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado (PFL), marido da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), comanda hoje o governo estadual. Carlos é irmão de Betinho Rosado e primo-adversário de Sandra e Laíre.
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Agonia acaba para Renan, mas não para Collor.

Depois de duas derrotas ao governo estadual, ex-presidente tem dificuldade para emplacar a quarta geração de políticos na família.
Valter Campanato/ABr
Depois que foi apeado da Presidência, Collor nunca mais conseguiu reconquistar a força que seu clã tinha em Alagoas

Um nasceu em berço político de ouro. O outro nasceu em berço bem mais modesto. Agora, quem recebeu o espólio eleitoral da família encontra dificuldade para deixar herdeiro político. E outro lidera a oligarquia dominante atualmente em Alagoas. Os senadores Fernando Collor (PTB-AL), filho de senador e neto de deputado, e Renan Calheiros (PMDB-AL), filho de um discreto prefeito do interior alagoano, sempre tiveram suas imagens associadas. Essa associação, porém, pode não ser reproduzida por seus filhos.
Os dois começaram a se relacionar como adversários, ainda no início dos anos 80, quando Collor era prefeito e Renan deputado estadual. Em 1990, Renan tornou-se líder do governo Collor na Câmara. Mas, antes do impeachment, os dois romperam. A reconciliação só veio há menos de cinco anos.O destino voltaria a botar a dupla no mesmo no caminho no Senado, onde Collor se tornou um dos principais nomes da tropa de choque que ajudou Renan a salvar o mandato, em meio a uma série de acusações em 2007. Reeleito para novo mandato, o peemedebista prepara o filho mais velho como sucessor. O petebista, porém, acumula fracassos eleitorais e patina sem conseguir emplacar um herdeiro político.
Agonia de Renan
Renan agonizou por sete meses em meio a sucessivas denúncias que iam de tráfico de influência, emissão de notas fiscais frias, chegando até a espionagem de colegas. Foi alvo de seis representações no Conselho de Ética. Caiu da presidência da Casa, mas escapou de dois pedidos de cassação em plenário. Menos de três anos depois, não apenas se reelegeu para mais oito anos como fez Renan Filho (PMDB-AL) avançar politicamente. Renanzinho desembarcou na Câmara este ano, interrompendo o segundo mandato de prefeito de Murici (AL), terra natal da família. Deixou o comando da cidade com seu vice, o tio Remi Calheiros (PMDB). O avô do deputado, Major Olavo Calheiros, também foi prefeito do município. Outros dois irmãos de Renan, tios de Renazinho, já tiveram cadeira na Câmara – e ao mesmo tempo: o hoje prefeito de Olinda (PE), Renildo Calheiros (PCdoB-PE), e o deputado estadual Olavo Calheiros (PMDB-AL).
Agonia de Collor
Quinze anos antes de Renan, Fernando Collor também viveu uma agonia que se estendeu por sete meses. Essa agonia, porém, parece não ter acabado. No ano passado, o senador fracassou pela segunda vez na tentativa de voltar ao governo de Alagoas. Em 2002, além de seu próprio insucesso, viu seu filho Arnon Affonso de Mello Neto tentar sem sucesso uma vaga na Câmara.
A esperança então passou para outro filho. Fruto de um relacionamento extraconjugal, Fernando James só teve a paternidade reconhecida quanto tinha 18 anos. Chamava-se, até então, James Fernando. Tentando associar sua imagem à do pai, o jovem inverteu o nome e se elegeu vereador do pequeno município de Rio Largo (AL), região metropolitana de Maceió, em 2004. Quatro anos mais tarde, Fernando fracassou ao tentar se eleger prefeito. Está sem mandato desde então. Primos de Collor, seus suplentes Ada Mello e Euclydes Mello também colecionaram fracasso nas urnas nas últimas vezes que tentaram conquistar um mandato. Euclydes perdeu, em 2008, a eleição para prefeito em Marechal Deodoro (AL) e Ada não conseguiu se eleger deputada federal no ano passado.Fernando Collor assumiu a Presidência da República aos 40 anos na condição de mais jovem presidente da história do país, com um discurso “moralizante”, de “caça aos marajás” e defesa dos “descamisados”, como ele se referia às pessoas mais pobres. Não completou três anos de mandato. Caiu após denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção e tráfico de influência montado por seu ex-tesoureiro Paulo César Farias, conhecido por PC.
Problemas em família
Curiosamente, sua situação ficou insustentável por conta de denúncias apresentadas a uma CPI no Congresso por Pedro Collor, seu irmão, que reuniu um dossiê explosivo contra o então presidente da República, que o apontava como beneficiário do esquema de PC. Collor se viu obrigado a renunciar, perdeu os direitos políticos por oito anos e só conseguiu se eleger novamente em 2006, quando conquistou a vaga no Senado. Em seu breve governo, Collor emplacou dois parentes em cargos de grande projeção. Ao assumir o mandato, indicou para o STF o primo advogado Marco Aurélio de Mello, ainda hoje ministro.
Neto por parte de mãe do ex-deputado gaúcho Lindolfo Collor, que foi ministro do Trabalho no primeiro governo Getúlio Vargas, Collor herdou o gosto pela política do pai, o ex-senador e ex-governador Arnon de Mello. Em 1963, Arnon protagonizou uma das cenas mais trágicas do Senado, ao matar em plenário o colega José Kairala com um tiro no peito. O alvo não era Kairala, suplente do Acre que cumpria seu último dia de mandato, mas o desafeto histórico de Arnon, o também senador alagoano Silvestre Péricles de Góis Monteiro. Gozando de imunidade parlamentar, o senador não sofreu qualquer tipo de punição.
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Empurrãozinho familiar ajuda.

Nem tudo na política é tradição familiar. Mas que ter um sobrenome forte, ou mesmo contar com um empurrãozinho familiar, é importante para sair à frente na política, isso é consenso. Em Alagoas, jovens políticos avaliam que é preciso mostrar trabalho para ser reconhecido, enquanto políticos da velha guarda ainda reproduzem o modelo das oligarquias. Pai do deputado federal Arthur Lira (PP-AL), o senador Benedito de Lira (PP-AL) não é oriundo de família tradicional política, mas está empenhado em construir essa tradição em seu clã. O alagoense é um dos principais motivadores e responsável por traçar estratégias políticas para a carreira do filho. Benedito conta que foi por causa de seu apadrinhamento que Arthur Lira se elegeu pela primeira vez vereador. “No início, ele não tinha receptividade. Certo dia, ele falou: ‘Papai, eu não tenho como continuar. As pessoas não acreditam no que eu digo, ficam até duvidando que eu sou seu filho’. Eu, então, fiz um santinho para ele e botei no verso: ‘Meus amigos, eu peço voto para o vereador número tal e lhe agradeço’. Aí eu fui com ele para a rua. Resultado, ele foi um dos vereadores mais votados da capital”, afirma Benedito. O senador relembra que, em várias eleições, foi necessário ir “para a linha de frente” para ajudar a eleger o filho. Com orgulho da prole, Benedito afirma que foi a partir de seus conselhos que Arthur se candidatou a deputado estadual e federal. “Em 1998, eu me candidatei a vice-governador e disse a ele: 'Arthur, sai candidato a deputado, porque a Assembleia não tem mais nenhuma pessoa minha'. Então, eu fui para a linha de frente e ele se elegeu de novo”, conta. Benedito de Lira avalia que a permanência de seu filho na política é importante para dar continuidade a seu trabalho de quase 50 anos de vida pública. “Agora na eleição de 2010, eu disse: 'Arthur, eu vou sair para o Senado, é uma eleição muito difícil, então, você vai sair deputado federal, porque se eu ganhar, estaremos juntos, e se eu perder, você dará continuidade ao meu trabalho no Congresso'. Agora estou muito feliz, porque ele está se saindo muito bem. Já tem uma boa articulação e está ocupando espaço extraordinário dentro da bancada”, diz.
Resultado
Filho de um dos mais poderosos políticos de Alagoas, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Renan Filho (PMDB-AL) começou a carreira pública no movimento estudantil, como presidente do diretório acadêmico do curso de Economia da Universidade de Brasília (UnB). O primeiro cargo eletivo foi como prefeito da cidade de Murici, terra natal da família Calheiros. Renanzinho, como é conhecido, permaneceu na prefeitura até o ano passado, quando se licenciou para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Deputado mais votado da história de Alagoas, Renan Filho conta que, inicialmente, o seu pai foi contrário que ele entrasse na vida política. “No início, ele tentou de todas as formas que eu não fosse candidato. Achou que eu deveria seguir outra trajetória. Mas essas coisas a gente traz com a gente. Acho que na política é onde a gente mais tem condições de melhorar a vidas das pessoas. Por isso, eu faço política”, diz o deputado.
Depois de decidir pelo caminho da política, Renan Filho afirma que o apoio do pai foi importante. “Ajudou politicamente, ajudou partidariamente. De forma que o apoio dele sempre foi importante para minha carreira política”, conta. Para o peemedebista, no entanto, “ninguém melhor do que a democracia” para julgar a continuidade de um grupo político no poder. “Independentemente se há continuidade ou se não há na política, o que tem que ter é resultado, é trabalho. Ninguém melhor do que a democracia para julgar isso. Quem julga meu mandato, se estou trabalhando, se estou prestando serviço, é o povo. Eu fui eleito com 140 mil votos, quase 10% dos eleitores do meu estado, porque eu tinha feito um bom trabalho na prefeitura. Se eu não tivesse desenvolvido um bom trabalho, como é que eu ia dizer: ‘Vote mim porque eu sou filho do meu pai?’”, questionou Renan. Mostrar serviço também é, na avaliação do deputado Rui Palmeira (PSDB-AL), o caminho para se perpetuar na vida pública. Filho do ex-governador, ex-senador e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Guilherme Palmeira, o tucano é neto do ex-senador Rui Soares Palmeira. O alagoano reconhece que a bagagem política da família o ajuda na vida pública, mas afirma que apenas o sobrenome não faz um político. “Desde o início ter o nome de meu avô foi para mim uma responsabilidade grande. Só com o nome não se chega a lugar nenhum. O nome não representa tudo na política. Você parte um pouco à frente, mas nem tudo é tradição familiar”, afirma Rui Palmeira, relembrando que, em 2002, perdeu as eleições e, em 2006, venceu com reconhecimento por seu desempenho na Assembleia Legislativa.
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Dos 12 representantes alagoanos no Congresso, dez são de família de políticos, como Renan Filho, sucessor de Renan Calheiros. Aliado de Renan, Collor encontra dificuldade para fazer herdeiro político. O primeiro presidente da República era de Alagoas. O marechal Deodoro
Valter Campanato/ABr
Renan Calheiros comanda a oligarquia atualmente
dominante no estado de Alagoas
da Fonseca (1889-1891). Dezenove anos depois, um sobrinho dele assumiu a Presidência – o marechal Hermes da Fonseca (1910-1914). Oito décadas depois, um político alagoano subiu a rampa do Planalto pela primeira vez: Fernando Collor de Mello (1990-1992). Neto de deputado e filho de senador, Collor indicou um primo para o Supremo Tribunal Federal (STF) durante seu breve mandato.
A política pode nem sempre ser a mais republicana. Mas nunca deixa de ser familiar em Alagoas. Dos 12 representantes alagoanos no Congresso, apenas dois – os deputados Givaldo Carimbão (PSB-AL) e Rosinha da Adefal (PTdoB-AL) – não são de família de políticos.
A bancada alagoana dos parlamentares que têm parentes na política reúne o mais rico dos 594 congressistas, o irmão de um ex-deputado foragido da Justiça, além de nomes controversos, que, apesar de terem vivido momentos de altos e baixos no cenário nacional, nunca deixaram a ribalta local, como os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL).
Collor e Renan
Eles foram inimigos, aliados, inimigos e agora, novamente, são aliados. Alvos de duas das mais graves crises políticas da história recente do país, Collor e Renan vêem seus herdeiros políticos viverem momentos distintos. Enquanto o ex-presidente da República ainda não se recuperou totalmente da queda, em 1992, o ex-presidente do Senado marcha alheio aos escândalos que quase lhe custaram o mandato em 2007. Nas últimas eleições, Renan renovou o mandato de oito anos e elegeu deputado Renan Filho (PMDB-AL). Os 140 mil votos recebidos por Renanzinho, como ele é mais conhecido, fizeram dele o mais votado da bancada alagoana na Câmara. Renanzinho deixou de lado a prefeitura de Murici (AL) e deixou a tarefa de concluir o mandato de prefeito ao seu vice, o tio Remi Calheiros.Derrotado na eleição ao governo estadual ano passado, Collor já havia fracassado em 2008, quando não conseguiu eleger um de seus filhos, Fernando James, prefeito de Rio Largo (AL), na região metropolitana de Maceió. Arnon Affonso Mello, outro filho do senador, perdeu a eleição para deputado federal em 2002 e deixou a política.
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Agonia acaba para Renan, mas não para Collor
Empurrãozinho familiar ajudaNeto do ex-deputado e ex-ministro Lindolfo Collor, filho do ex-senador e ex-governador Arnon de Mello, o ex-presidente da República tem dois primos como seus suplentes no Senado, Ada Mello e o ex-deputado Euclydes Mello. A predileção do senador por familiares não é nova. Na Presidência da República, ele indicou o primo advogado Marco Aurélio Mello ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mídia e poder
Além do interesse pela política, Collor herdou do pai um grupo de veículos de comunicação, que compreende o jornal Gazeta de Alagoas, a afiliada da TV Globo no estado e diversas rádios. O controle dos principais veículos de comunicação também une outras famílias alagoanas com forte inserção na política alagoana e representantes no Congresso. “O controle de mídia vem muito vinculado a esse controle político", diz o professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) Alberto Saldanha. O Sistema Costa Dourada de Radiodifusão, que transmite a CBN em Maceió, por exemplo, é do grupo político de Renan Calheiros. A vinculação com o controle da mídia envolve também outra importante família de políticos alagoana: os Palmeira. A família do deputado Rui Palmeira (PSDB-AL) tem participação no grupo Pajuçara Sistema de Comunicação, que inclui a afiliada da Record no estado.Rui Palmeira representa a terceira geração da família no Congresso. Ele carrega o mesmo sobrenome do avô, o ex-senador Rui Soares Palmeira. O deputado é filho do ex-senador, ex-governador e ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU) Guilherme Palmeira. É sobrinho do ex-deputado federal Vladimir Palmeira (PT-RJ) e do ex-deputado estadual Miguel Palmeira. Dono da maior fortuna declarada entre todos os 594 congressistas, o deputado João Lyra (PTB-AL) é sócio de rádios e do impresso O Jornal. Os veículos estão entre as dez grandes empresas do parlamentar, que acumula bens no valor de R$ 240 milhões. Uma das filhas dele, Lourdinha Lyra (PR) é vice-prefeita de Maceió. O deputado também é pai da “musa” do impeachment de Collor, a ex-cunhada do ex-presidente Thereza Collor, viúva do irmão de Collor, Pedro, autor das denúncias.
Processos e prisões
Assim como Renan, o senador Benedito de Lira (PP-AL) também tem um herdeiro na Câmara. Padrasto do vereador Marcelo Palmeira, de Maceió, Benedito conseguiu eleger seu filho Arthur de Lira (PP-AL) para seu primeiro mandato federal. Arthur foi um dos 15 deputados estaduais indiciados na Operação Taturana, deflagrada em 2007 pela Polícia Federal. Segundo a PF, o grupo de deputados estaduais fraudou a folha de pagamento da Assembleia Legislativa e desviou R$ 302 milhões dos cofres públicos. A operação resultou na prisão de 38 pessoas entre parlamentares, ex-parlamentares, funcionários da Assembleia e empresários. Além de Arthur, que conseguiu vaga na Câmara, outros seis deputados estaduais acusados pela PF conseguiram se reeleger no ano passado. Em 2008, Arthur chegou a ser preso, acusado de desobedecer uma ordem judicial relacionada a um outro processo, por agressão física, movido pela ex-mulher. A prisão, no entanto, foi revogada horas depois pela Assembleia Legislativa.
Deputado estadual foragido
Também acusado de desviar recursos da Assembleia, o ex-deputado estadual João Beltrão (PRTB-AL) é irmão do deputado federal Joaquim Beltrão (PMDB-AL). João Beltrão vive uma situação insólita: está foragido da Justiça, acusado de homicídio, mas pode reassumir a vaga no parlamento estadual a qualquer momento. Os mais de 30 mil votos que recebeu em outubro eram mais que suficientes para sua reeleição, mas ele foi barrado pela Lei da Ficha Limpa. Com a derrubada da lei pelo STF, João se prepara para voltar à Assembleia e escapar da prisão, decretada em fevereiro. Ele é acusado de participar, junto com outros dois ex-parlamentares, do assassinato do ex-cabo da Polícia Militar (PM) José Gonçalves, em 1996. João responde, ainda, por outras três acusações de homicídio, em Maceió e no interior do Maranhão e do Tocantins.A família Beltrão tem forte base eleitoral no sul do estado. Os irmãos João e Joaquim Beltrão são tios dos prefeitos de Coruripe (AL), Marx Beltrão, e Jequiá da Praia (AL), Marcelo Beltrão, e do ex-prefeito de Penedo (AL) Március Beltrão.
Política em família
Os outros dois parlamentares de Alagoas com parentes na política são os deputados Maurício Quintella Lessa (PR-AL) e Célia Rocha (PTB-AL). Célia é mãe do vereador de Arapiraca (AL) Daniel Rocha (PTB). Maurício é filho do ex-secretário estadual de Educação José Márcio Malta Lessa e primo do ex-governador Ronaldo Lessa. A prática de eleger parentes também é recorrente na Assembleia Legislativa de Alagoas, assim como em boa parte dos estados brasileiros, diz o jornalista Ricardo Motta, que há 30 anos cobre a política alagoana. "Você tem boas exceções. Mas a regra é a seguinte: o filho não dá para nada, vai ser vereador ou deputado estadual. Há uma 'bancada do papai' na Assembleia Legislativa, formada sobretudo por parlamentares inexpressivos, que nunca fizeram nada de relevante", afirma o analista político. "Nascem e são criados para isso. Parece que não encontram outra profissão", acrescenta. Alagoas aparece ao lado da Paraíba e do Rio Grande do Norte como um dos três estados com mais parlamentares federais vindos de famílias de políticos, conforme levantamento feito pelo Congresso em Foco apresentado nesta série de reportagens. Uma mostra da força das oligarquias políticas brasileiras, e de como o parentesco entre os políticos cresceu no Congresso como resultado das eleições do ano passado.
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